Terra de Ninguém

segunda-feira, 30 de junho de 2008


Não estou aqui para me gabar, mas depois do último texto fiquei um tanto quanto reticente sobre o que poderia escrever no próximo post do Discurso. O fato é que gostei muito do texto e como sou muito crítico com as coisas que faço, fiquei com receio de deixar a bola cair.

Por isso, produzir um texto abaixo das minhas expectativas me fez repensar muito antes de tomar partido e escrever algo que achasse realmente interessante. Levando em conta os passeios que faço pelos Blogs alheios na NET, alguns assuntos me saltaram os olhos, mas o que me cutucou foi uma realidade triste de se constatar.

A Internet é uma ferramenta poderosa em vários sentidos, nos aproxima das pessoas, das informações, dando uma liberdade incrível para produzir e criar como talvez não se imaginasse há 10 anos atrás. Eu tenho certeza que posso passar o dia inteiro aqui enumerando pontos positivos e usos produtivos que podemos associar á popularização do acesso Internet.

Mas acho que na verdade ela esta deixando as pessoas mais burras; sério. Nós temos uma tecnologia incrível que envolve os computadores e a Internet e não sabemos usá-la direito. Em vez de produzir e criar usamos esta ferramenta incrível para copiar. Acredito que a cultura do Ctrl+c e do Ctrl+v está matando toda e qualquer possibilidade de novos conhecimentos e novas formas de pensar serem geradas.

O mais triste nessa situação é que permitimos e somos coniventes com isso. Uma amiga me confidenciou semanas atrás que dando aula para alunos de colegial, foi corrigir um trabalho dos garotos que não passava de meras cópias dos Wikipedias da vida. Mas isso se perpetuou porque o professor titular da matéria não se incomodava com esse comportamento. Estamos estimulando a preguiça em pensar.

Infelizmente, isso não chega a me surpreender, pois observo no Orkut inúmeras comunidades de universidades que possuem tópicos criados por pessoas “vendendo” monografias, artigos. Isso é uma vergonha, mas mais vergonhoso ainda foi ouvir uma colega minha me propor isso para terminar um trabalho da faculdade esse semestre. Que tipo de estudante e profissional está sendo formado pelas instituições de ensino? Mas principalmente, que tipo de cidadão?

Mesmo para as pessoas que teoricamente estariam na Internet para criar alguma coisa através dos Blogs, Fotologs, e aquelas que usam ferramentas relacionadas a vídeos e imagens, a taxa de replicação é impressionante. A questão ética falha de tal maneira que nem citações ou indicações são encontradas, quando as pessoas reproduzem criações alheias em suas páginas virtuais.

Talvez a culpa não seja totalmente da Internet, pois antes mesmo dela as pessoas já tinham esse comportamento deplorável, mas utilizavam outros meios. O que acontece de certa forma pode ser uma exacerbação, afinal, quem controla a WEB?! Não existe uma polícia virtual e também não existem conseqüências. O dilema da liberdade é quando ela é conquistada sem luta. E infelizmente, para todos nós a Internet é terra de ninguém, mas o pior é que ela não tem leis e muito menos punições. A única base de comportamento dentro dela é a ética de cada um e esse é o grande problema.

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Comentários a parte:
1 - Me inspirei para escrever este texto em duas postagens de outros Blogs, uma do Contraditorium e outra do Treta. Além de algumas coisas que vinha pensando.
2 - Esse é o primeiro texto que publico com a ajuda de minha Editora, ainda tenho liberdade de escrita mas agora postarei com menos erros de concordância o que sempre é bom. Brigado pela ajuda Nathi.


Que seja eterno até próxima semana

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Estava um dia desses no MSN e notei uma coisa, na verdade fiquei mais pensando sobre a profundidade do texto [é muito bom estar com você de novo amor, amo amar você]. Pode parecer uma coisa banal, ou até que eu esteja com dor de cotovelo, mas nem é esse o caso. Já faz algum tempo que acredito estarmos vivendo em uma era de amores profundos de uma semana.

Tem sido impressionante a quantidade de vezes que vejo amigos e pessoas próximas terminando relacionamentos e não sei eu posso estar perdido nesse assunto, mas é só voltar e lá vêm às declarações e fotos no Orkut, MSN, e Flogs. Uma vez conversando com minha amiga descobri que a irmã dela de 14 anos tinha terminado um namoro e tinha ficado arrasada [normal]. O peculiar da situação, foi que em menos de uma semana ela arranjou outro, já tinha a senha do Orkut dele e incrementava a página do novo amor com frases, fotos e principalmente declarações que atestavam à profundidade de seus sentimentos.

Isso não é reflexo apenas das relações de nós mortais e muito menos dos adolescentes. A infinidade de artistas que declaram o seu amor público por seus parceiros e que ao terminaram os relacionamentos, arranjam alguém para serem “apenas bons amigos”, mais rápido do que se soletra paralelepípedo é impressionante. Se nos tempos de Drumonnd falávamos de João amava Maria, que amava Pedro, que amava Mariana. Hoje podemos trocar por João amou Maria, que Amou Pedro que amou Mariana.

Desta forma percebo que a rotatividade das relações cresceu em PG, não nos restando muita coisa além de entrar nessa ciranda também, mesmo sem conseguir entender mais nada. Fica difícil encontrar e falar até com as pessoas hoje em dia, daqui a pouco você vai falar com um amigo que não vê há muito tempo e soube que esta namorando e quando vai cumprimentar Joana, descobre que na verdade ela se chama Marisa o amor profundo desta semana. Por isso muito cuidado antes de falar com as pessoas.

Não acredito que as pessoas estão mentindo, mas de certa forma esta cultura de mídia e sucesso instantâneo incorporou tanto nas pessoas que o amor ficou fugaz. Sei que chega a ser banal ficar criticando a mudança de valores da sociedade, pois o caso não é o que a sociedade faz e sim como as pessoas se comportam perante ela. Alguns de nós mais alienados do que outros parecem estar disputando alguma competição, ou tem a idéia que alardear seus sentimentos de uma forma que estes se perdem.

Talvez o prato principal desta salada seja que as pessoas se importam com tantas futilidades, e se maquiam de tal forma para o mundo dentro desta cultura narcisista exacerbada pelos Orkuts, MSNs, Youtubes da vida que deixa os seus avatares se tornarem figura¹ e não fundo de suas vidas. Estamos nos levando tanto por toda essa velocidade de informações e conexões que pegamos carona e deixamos nossos sentimentos navegarem a 1 GB, esquecendo as vezes que o significado de algumas coisas não deveria mudar tão rápido e que intensidade e qualidade diferem e muito quando se fala de amor.

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1 - Princípio da figura e fundo. Percebemos um vaso ou duas faces se entreolhando, dependendo da escolha do que é figura (o tema da imagem) e o que é fundo.

Persistir no erro

quarta-feira, 18 de junho de 2008


Quando eu vi pela primeira vez o trailer de Fim dos Tempos (The Happening, 2008), imaginei que chegaria ao cinema e iria assistir a um filme intrigante, com algum mistério e que saísse um pouco da mesmice de roteiros e fantasias de Hollywood. Geralmente a minha impressão é que a maioria dos filmes vem com um manual de como se fazer tal género [aguardem que em breve postarei esse manual] dar certo sem muita mudança e com as mesmas histórias e os mesmos finais. O director do filme ficou conhecido mundialmente pelo filme O sexto sentido [mas me desculpem, eu achei bom e ponto], para mim ele esta mais para one hit wonder [expressão em inglês designado a artistas de um único sucesso]. Depois disso ele fez o que a maioria dos directores de cinema faz [acho que por presunção ou preguiça ainda não formulei uma teoria científica sobre o assunto], emenda alguns filmes, mas todos com a mesma fórmula.

Vimos exemplos disso nos filmes do Almodóvar, com personagens quase sempre com algum transtorno psicológico grave e muitas vezes com amores complicados. Ou Spilberg e a síndrome de que todo o final tem de ser uma historinha infantil para meus filhos [por isso que ele estragou em sequência AI, Minority Report e A Guerra dos mundos]. Guilhermo del Toro adora colocar protagonistas em situações estranhas, com seres bizarros, ao passo que Alejandro González Iñárritu adora criar um emaranhado de histórias que se cruzam no final, eu posso ficar citando outros aqui, mas o propósito do texto não é esse. Resumindo o pessoal tem a mania de não mexe em time que se esta ganhando. Eu até compreendo, apesar de achar às vezes um pouco de falta de criatividade. Mas ao menos eles tiveram a decência de manter algum nível de bons filmes. O problema da formula mágica é quando ela deixa de ser mágica, quando ela para de da certo e mesmo assim a pessoa não enxerga isso e acho que é o caso do M. Night Shyamalan nesse seu último filme.

A sensação que tive no cinema foi que estava sendo roubado ou enganado, e olha que eu nem entrei com expectativas grandes com relação ao filme, sei que quando isso acontece à probabilidade de desastres é grande. O filme começa bem, ou ao menos eu pensava assim, não entrega muitas coisas na cara, mas parece com o tempo que fica faltando algo, o que ao final da secção não deixa de ser verdade. A ideia do filme é interessante, mas no desenrolar parece que ele se perdeu entre passar alguma mensagem e tentar explicar a história.

Outra coisa que ficou meio fora de nexo foi à inclusão de alguns personagens e ou eventos dentro da história. Mas ao contrario disso a introdução de novos personagens ao decorrer da trama apenas vai atrapalhando e demonstrando o quanto o director estava perdido nesse trabalho [no caso estou falando da velha rabugenta que mora em uma casa da época colonial sem nenhum contacto com o mundo e da cena de uma família refugiada com espingardas dentro de uma casa aparentemente abandonada].

Para ficar pior a actuação dos protagonistas é no mínimo sofrível, durante muito tempo fiquei pensando se era de propósito, mas lá pelas tantas achei que não era mais fingimento e sim a péssima mão que estava por trás das câmeras que não soube extrair uma actuação decente. O clima de suspense vai se perdendo no decorrer do filme e lhe dando literalmente a sensação de que algo errado esta no ar, a sensação de desastre via ficando cada vez mais eminente. E no meu caso em um dado momento comecei a rezar literalmente para o filme não terminar. Não queria acreditar que alguém tido como com tanto talento tinha feito um filme tão ruim, nem digno de filme B que na maioria das vezes entretém e esse nem isso.

Na volta para casa fiquei questionando seriamente se eu estava errado, sei que sou chato para assistir filmes. Mas ainda gosto de cinema pipoca, consigo assistir filmes trash, alindo a filmes bobos. Quando fui pesquisar pela Internet e conversar com a pessoa que assistiu ao filme comigo percebi que realmente se tratava de uma obra para se jogar no lixo. Depois de passado o sofrimento, pensei literalmente em me vingar da humanidade como a natureza [fato que acontece no filme], mas de forma mais cruel ainda. Fiquei algum tempo pensando seriamente em espalhar para os meus conhecidos que eu tinha assistido a uma obra prima. Ao menos depois disso eu poderia dar boas risadas a respeito da situação, pois enquanto estava sentado no cinema vendo os letreiros subirem e a luz se ascender tive foi vontade de chorar de raiva.

Para vocês terem noção da repercussão negativa do filme acessem o site Omelete para ler a resenha ou o Rapadura. Ou pior façam que nem eu e paguem para assistir essa coisa triste. Abraços e boa sorte para todos quando forem ao cinema na próxima semana.

Alguns incrementos

segunda-feira, 16 de junho de 2008


O Discurso tava sendo deixado um pouco de lado por mim (de certa forma sim), mas nem por isso tenho deixado de pesquisar algumas coisas. Pensei por um tempo não só em como escrever as coisas que penso, mas como aliar e incrementar aqui o que acho de significativo na WEB. Uma coisa que notei e me fez uma falta aqui foi à questão dos links. Eu ainda não tinha me atentado o quanto um link, ou a existência de alguns deles podem ser significativos dentro de um post.

De certa forma a questão indica para mim que a pessoa que escreveu não apenas parou para pensar no que estava escrevendo, mas algumas vezes, esta com vontade de repassar um pouco do que lhe chamou atenção pela net em outros sites. Talvez um pouco de cortesia, para aqueles que às vezes nos inspiram, nos fazem refletir ou qualquer coisa que valha. Pensando nisso a partir de hoje além de incrementar a seção Recomendo com blogs e sites que leio e gosto. Por isso, encontraremos aqui alguns links [dentro dos textos] quando u achar necessário e que indiquem conteúdos referentes a esse blog ou qualquer outro que tenha alguma coisa relacionada ao que escrevo.

Saudosismos a parte:

Como venho passando esse tempo observando pela net alguns posts que eu acho significativos estão sendo fragmentados e organizados. Tenho tentado perceber também como estas pessoas passam o que pensam e como isto de certa forma esta sendo absorvido pela minha mente. E em meio a essa jornada virtual, me encontro em alguns momentos dentro do discurso dos outros, pensando coisas semelhantes, sonhando, me irritando e imaginando as minhas palavras sendo passadas pelo outro lado do computador.

Acho que todos nós estamos fazendo isso quando lemos alguma coisa que nos toque [bem ou mal] ou ao menos eu quero pensar assim. Raramente algo que lemos hoje nos recordamos por muito tempo [ficando preso na memória], mas quando acontece diz muito de nós, da infância, da criação, dos gostos, dos medos, anseios e receios...em suma um pouco de nossa Psiquê. [É vou utilizar da Wikipédia para ajudar a traduzir o quero dizer, se não achar válido problema seu!] É um tanto contagiante ler um post que nos faz vivenciar alguns saudosismos.

Como no do Blog Contraditorium, aonde entre outros paralelos que o autor vai fazendo sobre a infame ação do Conselho Regional de Enfermagem do RJ, só porque a Adriane Galisteu se vestia de uma enfermeira sexy para apimentar a sua provavelmente medíocre atuação teatral [nada contra, mas se como apresentadora ela é uma ótima modelo, imagine como atriz]. Mas o que me chamou a atenção não foram o post e o assunto em sí e sim à referência que este faz a uma das frases que mais me apaixonei nesses desenhos "joselitamente" incorretos da Warner, entre eles: Animaníacs, O Pink e o Cérebro, Freakazoid, entre outros.

[OLLLLÁ ENFERMEIRA! Para todos].

 

O que é o Discurso Humanista

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Vamos ver: É um blog, acho que isso já diz tudo. Na verdade vai ser um apanhado de idéias que estão por aqui mesmo em minha cabeça, isso inclui bastante coisa mesmo. Serão abordados temas relevantes e irrelevantes e que de qualquer forma tenham alguma relevância para mim em um dado momento. Futebol, política, cinema, música e muitas coisas podem servir de tema de inspiração. Sejam bem vindos os futuros visitantes. Abraços a todos!

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