A fonte que não seca

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Foi difícil, na verdade esta sendo. Fiquei pensando muito sobre o que abordar como o tema desta quinzena. Tem muita coisa importante acontecendo, se fosse pelo esporte poderia abordar os constantes fracassos Ingleses derrotas de Hamilton, e das seleções de futebol e de rúgbi. Pensei ainda sobre Chavéz e um pouco de política externa, mas acho que isso fica para outro dia. No Brasil é que residiam as mais profundas incertezas, falar do petróleo ou dos impostos, em especial a CPMF.

Acho que um ponto crucial é tentar esclarecer, sei que meus amigos muitos não chegam a gostar de discutir política ou a situação econômica e social do país, mas tenho quase que certeza que isto deve-se ao fato de pouco saberem ou pesquisarem sobre o assunto. Não me proponho a dar respostas às pessoas, já escrevi sobre isso aqui antes, ainda assim não me ausentarei de ter opinião e de contribuir para a formação das dos outros, sendo que acima de tudo tentarei ser inicialmente imparcial.

Começaremos sobre os impostos. Teoricamente os impostos são taxações fixadas pelo governo que visam arrecadar dinheiro, a fim deste promover fundos com o objetivo de reverter esses valores em benefícios públicos. A princípio não existe problema nenhum nisso, pelo contrário concordo e acho que todos o farão que seja necessária a cobrança de impostos. Mas aqui no Brasil pecamos pelo excesso de desvios, não dos impostos, mas das verbas oriundas destes quando começam a se destinar a criar escolas, estradas, hospitais, etc.

Nas últimas semanas tem se discutido a prorrogação de um imposto conhecido pela sigla de CPMF, e como o governo vem se articulando nos bastidores para entrar em acordo com a oposição. As ironias começam quando olhamos para trás e nos recordamos que o atual presidente junto com o atual partido mandatário no país foram ferrenhos opositores quando criou-se este imposto. Não questiono a posição de se mudar de idéia ou opinião, longe disso, na verdade cobro coerência dos líderes nacionais.

A falta de coerência começa que economicamente a CPMF é importante, mas ao mesmo tempo ela não resolve nada e todos sabem disso, mesmo o PT e seus aliados quando foram oposição sabiam disso. Ao mesmo tempo em que o PSDB e seus aliados quando criaram o imposto que tanto defenderam, apenas fazem cena hoje por acreditar que foram preteridos ou pouco contemplados com cargos na nova gestão. Um pequeno resumo é que ninguém esta lá lutando por alguma coisa que acredita, mas sim querendo uma fatia maior do bolo e brigando feito crianças no primário.

Uma das coisas que talvez mais confundam o brasileiro leigo ou alheio à política é que alguns achavam que existia algum tipo de ideologia dentro das lideranças partidárias nacionais. Na verdade se ajudou alguma coisa na inserção do PT ao poder estatal é que na verdade não existe e talvez nunca exista uma consciência social que se esperaria de esquerdas no Brasil. Posso estar sendo drástico, o que até não acho, mas a eleição de Lula vem decretar a morte de esquerda dentro do cenário político tupiniquim. O que veremos daqui para frente é algo como se instaurou nos E.U.A. onde existe a posição (aquele conjunto de partidos que esta no poder) e a oposição (aquele que esta lutando por tomar o poder), sendo que estas duas situações brigam por concessões, mais do que ideais ou mudanças sociais profundas.

Mas voltando a prorrogação da CPMF a beleza por trás deste imposto é o quão abrangente ele é. Sério. Pensem em alguma transação financeira honesta (sendo assim excluímos dinheiro ganho ilicitamente e não declarado), praticamente todas elas serão taxadas pela CPMF. Basicamente este é um imposto que taxa as movimentações financeiras no país, inicialmente pensado para atender às demandas da saúde. O que se questiona bastante hoje em dia, pois boa parte do que é arrecado com ela passou a ser incorporado para as ações assistencialistas do programa Bolsa Família. O que nos faz duvidar as finalidades reais de qualquer arrecadação no Brasil que nunca cumpre os fins aos quais são destinados.

Ainda vai ser travar em breve no congresso a guerra da reforma tributária, que visa dar uma reestruturada geral nos impostos, há muito tempo se fala sobre como é necessária. Mesmo os políticos sabem o quanto à quantidade de impostos e o nível de taxação dos mesmos (hoje corresponde a pouco mais de 40% do PIB do Brasil) é desconfortável não só para as pessoas, mas para a própria economia nacional. Para nós o que vai importar é para onde e como serão distribuídas as verbas que provêem destes, sendo que acima de tudo devem-se criar mecanismos mais eficazes para vigiar e punir possíveis desvios.

Mas o que fica é a impressão cada vez maior de que os palanques de Brasília servem apenas para o palco de uma grande encenação. Começa quando os congressistas fingem que se importam com o povo, mas na verdade lutam por interesses próprios, a troca de favores é o que convém. Fica também feio quando vemos a movimentação de um ex-presidente do Senado que em troca de sua permanência no poder, tenta negociar com o governo a aprovação da CPMF. No final todos estão no mesmo barco e de maneira alguma ele aponta para a direção do povo, no máximo encontra destino nos próprios egos.

E ai companheiro?!

sábado, 10 de novembro de 2007

Não fiquem imaginando que virei aqui discutir quem veio primeiro o ovo ou a galinha, não tenho saco, filosofia suficiente e acho que nem vocês teriam paciência para tal, sendo assim vamos seguir em frente. De qualquer forma, pelo que sei a pirataria surgiu há muito tempo atrás, mas de outra forma e representando um modelo totalmente diferente de comportamento. Na verdade os piratas eram mercenários que atacavam navios mercantes e vendiam seus serviços de guerreiros a quem pagasse mais.

Acho que podemos perceber que hoje isto mudou em alguns níveis, mas contém de certa forma as mesmas características. Piratas roubam os mercadores e depois repassam e revendem o fruto deste para quem quiser pagar. Podemos dividir o nível de pirataria e o tipo, mas esta quase tudo na mesma bagagem. Além do que não estou aqui para ficar categorizando nada, não gosto e nem acho que tenho conhecimento especializado para ficar inventando nominhos para isto.

Seguindo em frente que é o que interessa, vamos colocar alguns dados nesta equação. O Brasil o meu país natal, perde por ano 30 bilhões de reais somente com a pirataria. Para se ter uma noção, dava e sobrava o dinheiro para se realizar a Copa de 2014. Além da perda de dinheiro, se perdem dois milhões de emprego, o que de certa forma não iria solucionar esse problema por completo, mas daria para dar uma amenizada significativa. A polícia que se diz uma repressora da pirataria consegue tirar do mercado mais ou menos 200 milhões por ano o que não chega a representar nem 10% do total.

Agora vamos partir destes dados para começar a brincadeira. Para começar, pergunto se vocês acham que a Polícia pune realmente a pirataria? Em minha opinião não. Na verdade, como as coisas andam, nem mesmo as autoridades acham que isto é errado. Mas será que é por causa dos preços [alguns perguntariam]?! Se fosse assim, as pessoas ricas pagariam por produtos originais. Mas lembremos o caso do presidente Lula que conversando com Zezé de Camargo e Luciano, confessou que assistiu ao filme 2 Filhos de Francisco, no Palácio do Alvorada e pirata.

Bem, para o povo ou a população em geral, se nem nosso presidente leve a sério este crime porque que nós deveríamos leva? Esta é uma boa pergunta. Lembro de que Foucault escreveu que o código de leis inglês formulava que as classes mais ricas deveriam servir de exemplo para que as classes mais pobres não cometessem delitos. Pobres dos franceses e ingleses que se tentassem algo semelhante no Brasil, provavelmente não conseguiriam nunca implantar um código penal decente. Aliás, este ainda não existe em nosso país, mas isso talvez fique em outro texto.

Aliando a isso, temos com a era digital uma nova gama e faceta da pirataria, que é a possibilidade da inclusão pirata. Como assim vocês me perguntam. Deixa-me explicar, com as tecnologias de hoje, todos podemos ser piratas. E isso é bom?! Ao menos deveria. Os jovens fazem disso uma constante luta, usando contra as grandes corporações que lucram sobre o trabalho mal pago nos países subdesenvolvidos e revendendo para o mundo um produto superfaturado. De certa forma, poder “tomar” posse destes produtos faria com que este lucro diminuísse, o que na prática não acontece.

Pois agora chegamos a uma encruzilhada e afirmo, aquele que nunca pirateou que atire a primeira pedra, diria Jesus nos dias de hoje. É acho que realmente podemos pegar essa frase histórica e transforma-la desta maneira, pois eu acho que todos nós em algum dia ou algum momento já compramos ou criamos algum produto pirata. Para colocar tudo nos eixos brado: Todos nós somos piratas! Mas acho que somos hipócritas de mais para admitir tal fato, e ficamos nessa hipocrisia generalizada quando permitimos as praticas do rapa, por parte da polícia ou que alguns sejam presos e outros não. É fácil se manter inerte enquanto as coisas não nos atingem, mesmo sendo todos igualmente culpados.

 

O que é o Discurso Humanista

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Vamos ver: É um blog, acho que isso já diz tudo. Na verdade vai ser um apanhado de idéias que estão por aqui mesmo em minha cabeça, isso inclui bastante coisa mesmo. Serão abordados temas relevantes e irrelevantes e que de qualquer forma tenham alguma relevância para mim em um dado momento. Futebol, política, cinema, música e muitas coisas podem servir de tema de inspiração. Sejam bem vindos os futuros visitantes. Abraços a todos!

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